O afeto e atenção são conceitos aparentemente abstratos e puramente emocionais. No entanto, eles estabelecem uma relação profunda com o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Por isso, se são importantes em qualquer fase da vida, na infância são indispensáveis.
Quando a criança está em processo de aprendizagem, seja no âmbito escolar, seja em conhecer o seu “eu”, ela pode se sentir insegura, sem saber se está fazendo as cosas certo ou não. Assim, estar em um ambiente de acolhimento, que a faça se sentir amada e aceita, pode encorajá-la a evoluir e se desenvolver mais e melhor.
Por que o afeto é importante?
O afeto é importante porque faz com que o indivíduo se sinta mais seguro, querido e, portanto, mais confortável consigo mesmo e com o ambiente em que está inserido. Esse conceito é ainda mais importante quando falamos da fase de desenvolvimento infantil, quando a insegurança e a sensação de não ser aceito pode prejudicar muito o processo.
O afeto, incluindo o contato físico, as palavras e a receptividade, são sentidas pela criança desde o ventre da mãe. E isso se perpetua de geração em geração, é algo tanto cultural quanto visceral. Tanto que, a falta de contato e demonstrações de afeto foi um dos principais problemas indiretos da pandemia.
Qual a importância do afeto no desenvolvimento da criança?
Veja o que diz Ana Rita Silva Almeida, em seu livro Emoção na Sala de Aula, de 1999:
“A afetividade, assim como a inteligência, não aparece pronta nem permanece imutável. Ambas evoluem ao longo do desenvolvimento: são construídas e se modificam de um período a outro, pois à medida que o indivíduo se desenvolve, as necessidades afetivas se tornam cognitivas”.
Almeida é pós-doutora pela Universidade do Minho (Portugal) em Estudos da Criança, especializada em Sociologia da Infância, dentre outras formações. E sua fala resume bem a relação que existe entre a evolução do afeto e das habilidades cognitivas.
Afinal, elas dependem uma da outra, em especial na infância, quando a criança costuma se enxergar pelo olhar dos que a cercam. Isso porque ela não se conhece ainda, então, baseia a percepção de si mesma pelo que os outros pensam dela.
Em outras palavras, se recebe abraços, elogios e palavras de carinho, se sente inteligente, importante e digna dessas demonstrações de afeto. Por outro lado, se é ignorada e insultada, constrói uma imagem negativa de si, uma que é incapaz de aprender e evoluir. E isso pode se tornar uma verdade em sua mente, que se traduz em realidade no seu processo de desenvolvimento.
Qual a importância do desenvolvimento emocional na infância?
O desenvolvimento emocional na infância é vital para o crescimento saudável e o bem-estar das crianças. Isso porque, durante os primeiros anos de vida, o cérebro forma funções primais, como flexibilidade cognitiva, memória de trabalho e controle inibitório.
Tudo isso afeta a capacidade organizacional, de concentração e de tomadas de decisão no futuro. É o que falamos sobre a criança que se sente mal consigo mesma pela falta de afeto. Ela fica com a autoestima baixa, não se sente capaz e nem digna de realizações.
Isso não só afeta a qualidade de vida durante a sua infância, mas também prejudica a formação da sua personalidade emocional. O que, por sua vez, vai repercutir de forma negativa pelo resto de sua vida.
Portanto, não é só o desenvolvimento cognitivo dos pequenos que necessita de uma boa dose de afeto e atenção, mas também o desenvolvimento emocional.
Como a afetividade pode contribuir no processo de aprendizagem?
Como já vimos no trecho do livro da doutora Almeida, a afetividade é parceira da inteligência. Então, precisam andar juntas para que o processo de aprendizagem seja o mais eficiente possível. Nesse sentido, veja algumas práticas importantes e simples:
- Demonstre carinho, respeito e cuidado diariamente. Cumprimente as crianças com sorrisos e abraços, para criar um ambiente acolhedor;
- Esteja presente e ouça as crianças. Ademais, mostre interesse genuíno por suas histórias e emoções, pois isso fortalece os laços afetivos;
- Reconheça o esforço e as conquistas dos pequenos. Lembre-se de que elogios verdadeiros incentivam a autoestima e a motivação;
- Crie uma rotina estável e previsível, o que traz segurança emocional e ajuda as crianças a se sentirem acolhidas;
- Ensine-as a identificar e expressar emoções, e use histórias e brincadeiras para abordar sentimentos;
- Quando as crianças enfrentam desafios, ofereça apoio emocional. Afinal, um abraço ou palavras gentis fazem a diferença.
Com ações simples, mas constantes e sinceras para demonstrar afeto e atenção, você ajudará a construir bases para um futuro sólido para nossos pequenos. Além disso, estará ajudando-os a ter uma infância mais feliz e plena no presente.

