Com a vida corrida que levamos, acrescida da bagagem emocional que todos carregamos, não é difícil entender porque sentimos um caos interno. Essa bagunça interior muitas vezes transparece em nossas atitudes e decisões exteriores, o que pode prejudicar nossas relações, trabalho e a forma como reagimos a estímulos.
Por esse motivo, é muito importante aprender a lidar com isso, tentar organizar as coisas e entendê-las para que se possa responder às diferentes situações que aparecem todos os dias, sem reagir de forma impensada e, por vezes, nociva.
Para ajudá-lo nesse propósito, convido você a permanecer até o final dessa leitura. A qual busca compreender e apascentar esse turbilhão interno que é tão comum e inerente à alma humana, além de minimizar seus impactos na vida externa, que se mostra cada vez mais desafiadora à medida que a sociedade evolui.
O que pode causar um caos interno?
O caos interno pode ser desencadeado por uma série de fatores, e afetar nosso equilíbrio emocional e mental. Vamos explorar alguns desses fatores:
- Estresse e ansiedade: pressões do cotidiano, preocupações excessivas e tensões emocionais podem gerar um turbilhão de emoções. Ademais, é preciso lembrar que o estresse crônico e a ansiedade afetam nossa saúde mental e física, o que piora a sensação de caos interno;
- Traumas mal processados: experiências traumáticas não devidamente processadas podem criar um caos emocional. Aliás, esses traumas podem ser recentes ou remontar à infância. Por isso a importância de não reprimir sentimentos, mas de vivenciá-los plenamente para que não deixem acúmulos de energia negativa em nosso interior;
- Distúrbios neurológicos: a síndrome das pernas inquietas, por exemplo, pode causar sensações de tremor interno durante o repouso. Dessa maneira, é importante fazer um check up de tempos em tempos para identificar problemas de saúde física que possam impactar a psicológica e vice-versa.
Qual a diferença de responder e reagir?
Reagir é uma resposta automática e impulsiva a um estímulo. Geralmente, ocorre sem reflexão ou consideração. Imagine alguém pisando no seu pé acidentalmente: sua reação imediata pode ser de raiva ou dor, sem pensar muito sobre o que aconteceu.
Por outro lado, responder requer uma pausa para avaliar a situação. É uma ação mais consciente e deliberada. Quando você responde, considera as consequências e escolhe uma abordagem adequada. Por exemplo, se alguém faz um comentário desagradável, você pode escolher responder com calma em vez de reagir impulsivamente.
Assim sendo, reagir é instintivo, enquanto responder é uma escolha consciente baseada na análise da situação. A habilidade de responder, em vez de reagir, portanto, é fundamental para manter relacionamentos saudáveis e lidar com desafios de forma mais eficaz.
Como podemos conviver com as nossas emoções sem conflitos internos?
Para conviver com nossas emoções sem conflitos internos, podemos adotar algumas estratégias.
É claro que a ausência total de dúvidas e incertezas é praticamente impossível. Afinal, se você pensar que cada escolha requer uma renúncia, pode entrar em um looping eterno de “e se”. Porém, podemos tomar medidas que minimizem essas inseguranças quanto às nossas decisões, o que também ajuda a diminuir os conflitos, como:
- Autoconhecimento: investir tempo para entender nossas emoções é fundamental. Assim, reconheça o que você sente e por quê. Isso ajuda a evitar reações impulsivas e a lidar melhor com os sentimentos;
- Inteligência emocional: aprenda a identificar e gerenciar suas emoções. Conheça as emoções básicas, como alegria, tristeza, medo, raiva, repugnância e surpresa. Com isso, você aprenderá a responder de forma mais adaptativa a diferentes estímulos com a proporção adequada;
- Detenção do pensamento: quando emoções negativas surgirem, pare e avalie seus pensamentos. Desafie crenças distorcidas e substitua-as por pensamentos mais realistas;
- Relaxamento muscular: pratique técnicas de relaxamento, como respiração profunda e relaxamento muscular progressivo, o que também ajuda a reduzir a tensão emocional;
- Empatia: coloque-se no lugar dos outros. Isso porque entender as emoções alheias ajuda a entender as ações deles e a responder a elas de maneira proporcional e saudável;
- Diário emocional: registre suas emoções diariamente. Esse hábito aparentemente simples ajuda a identificar padrões e a desenvolver autoconsciência;
- Atenção plena: esteja presente no momento atual. Evite se perder em pensamentos negativos ou preocupações excessivas;
- Autoinstruções: use afirmações positivas para guiar seu comportamento. Por exemplo, “Vou lidar com isso com calma”;
- Assertividade: comunique-se de forma clara e respeitosa. Defina limites e expresse suas necessidades. Com isso, as pessoas com quem você convive saberão o que devem fazer para não tirá-lo de seu eixo. E isso diminui a incidência de situações desgastantes que podem servir de gatilho para você.
Decisões erradas não nos definem
É bom lembrar que todos estamos sujeitos a decidir da forma errada, então, não deixe que isso guie seu futuro. Use esses percalços como aprendizado, aprenda a conviver com as frustrações e não acumule amargores em sua “gaveta emocional”.
Lembrando que conviver com emoções não significa suprimi-las, mas sim compreendê-las e expressá-las de maneira saudável. Portanto, jamais tente sufocar o seu caos interior, pois isso só vai retardar e potencializar uma inevitável explosão em algum momento.
Em vez disso, foque em se conhecer, em conciliar seu “eu” passado com sua realidade atual. Aliás, a psicanálise pode ser um bom meio de se fazer um mergulho guiado nesse passado, o qual pode ser a chave para compreender os elementos do seu caos interno e aprender a não o deixar comandar suas respostas e reações externas.

